Devaneios com URL #5

do fim para (outro) início

«Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos...» Em cada recomeço, um fim. A utopia receia o caos que se lhe segue pela demolição das crenças vigentes – novas vontades, novos rostos surgem para reinar. Mas nem todos são anónimos, e alguns pecam por reconhecimento tardio, mesmo quando são da casa. Recomeçar significa, para outros, recuperar o passado, construir um memorial, estabeler um cânone. Ou apenas indicar de forma prosaica listas pessoais, um ou dois romances gráficos, e obras que neste formato se inspiram. Recomeçar é acima de tudo, ter a oportunidade de reconstruir – o que requer disciplina. E sem dúvida que ver um autor luso em terras estranhas é o melhor dos augúrios…

Luis Filipe Silva

Quero publicar com a Imaginauta

A Imaginauta está sempre aberta a sugestões de projectos literários e romances originais que nos queiram enviar. Este ano estamos activamente à procura de bons romances de fantasia, ficção científica, terror ou género relacionado.

Se tiveres algo que nos queiras enviar, força!

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Neste âmbito, cecebemos frequentemente perguntas às quais queremos dar resposta aqui.

O autor paga para publicar pela Imaginauta?

Não. Não cobramos qualquer valor aos nossos autores, nem pedimos uma venda mínima de livros ao autor, nem obrigamos o livro a passar por um projecto de crowdfunding para ser editado. Somos contra este tipo de práticas.

Aceitam escritos em inglês? 

Não. Estamos à procura de obras escritas em português (de Portugal ou do Brasil, que caso sejam aceites poderão ser adaptadas a português de Portugal).

E qual a vossa política em relação ao acordo ortográfico?

Respeitamos a escolha de ortografia do autor, desde que se mantenha a clareza do texto.

A Imaginauta aceita romances juvenis?

Sim. Embora estejamos mais focados no romance “adulto”, não rejeitamos romances juvenis. Aliás, um dos últimos manuscritos que estivemos a apreciar enquadrava-se nesta categoria.

Para onde e como envio um original?

Envia para correio@imaginauta.net. Agradecemos uma pequena sinopse a dizer o tema e o enredo do livro, assim como o ficheiro ser em formato editável (ou seja formato .doc, .docx, .odt, não em .pdf)

Se tiverem mais perguntas, por favor não hesitem e contactem-nos por correio@imaginauta.net

Passatempo Devoradores de Livros

Na próxima tertúlia dos Devoradores de Livros (clica aqui se não sabes o que é), iremos ter dois convidados muito especiais: Luis Filipe Silva e João Barreiros.

Os dois autores irão apresentar a reedição do Terrarium – Um Romance em Mosaicos e a organização dos Devoradores de Livros (Imaginauta e SciFiLx), com o apoio da Saída de Emergência, irá sortear um exemplar do romance.

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Para participar basta aceder ao Gleam, um site que permite fazer concursos que quanto mais conheceres dos projectos que estão a dar o prémio, mais hipóteses tens de ganhar!

Vê aqui como participar: Livro de oferta: Terrarium

Os vencedores serão escolhidos aleatoriamente e contactados por email. Só são elegíveis pessoas com morada portuguesa.

Apareçam na Leituria (Lisboa) no dia 26 de Janeiro para trocar dois dedos de conversa com os autores e até pedir um autógrafo.

Devaneios com URL #4

4: finais e começos

Eis chegada a etapa do ano em que se pára para medir, tecer listas, que são, ao seu modo, histórias de crescimento ou decorrada tão artificiais quanto a própria divisão de calendário que as subjaz (e outras se lhe seguirão). Mas é humano celebrar a rotação celeste do planeta – a criança quer-se tornar adulta. Lembrar efemérides importantes, compilar resultados, e destacar obras singulares. E também dar voz ao que passou ao lado. Às obras de antanho.

Mas este género olha para o futuro, e nesse olhar celebra-se por antecipação, por vezes com ânsia de que os dias corram. Cada vida esconde um romance – e cada história esconde outra. Convém conhecer as regras, talvez para as destruir… mas mais tarde, quando sairmos deste entroncamento temporal.

Boas Festas com livros.

Luis Filipe Silva

Devaneios com URL #3

3: brasis e outros aléns

É dia de celebração para a língua portuguesa, ou, para ser mais específico, foi no passado dia 11 de Dezembro que se celebrou a ficção científica brasileira, data escolhida como homenagem a um dos seus grandes pioneiros, que também foi distinguido com site próprio. É um sinal de vitalidade e de apreço para uma literatura com história própria, estudos académicos reconhecidos e produção constante, conforme evidenciado pela mais recente edição do prémio Argos. Quem procurar online, rapidamente encontrará revistas, iniciativas e sites de referência que orientarão num percurso paralelo mas, infelizmente, pouco conhecido do lado lusitano. Nesse mesmo fim de semana, no Porto houve, ainda, a possibilidade de descobrir a escassa produção nacional e contactar com autores. Sincronicidade? Ou globalização?

Mas o género não sobrevive com eventos – há que escrever, há que ler, conhecer os clássicos, avaliar as adaptações e descobrir espaços menos eurocêntricos. Descobrir a escrita exclusivamente no feminino – ou não fosse «literatura» uma palavra deste género. Assistir, também, a séries de televisão e ponderar criticamente sobre os temas apresentados: a ficção científica, mais do que uma distracção, é um meio de pensar a vida (observações interessantes neste último texto, dêem-lhes bom uso). E fazê-lo além da língua portuguesa, pois o mundo não termina nesta fronteira: descobrir o moderno ou o insólito, mesmo em embrulhos pequenos, noutros idiomas, é também uma aventura.

Luis Filipe Silva

João Barreiros e Luis Filipe Silva nos Devoradores de Livros

João Barreiros (à esquerda) e Luis Filipe Silva (à direita) irão estar presentes na próxima tertúlia dos Devoradores de Livros para apresentar a reedição (aumentada e melhorada) do épico de ficção científica Terrarium.

A próxima sessão será no dia 26 de Janeiro de 2017 na livraria Leituria, em Lisboa. A seguir à tertúlia seguir-se-á o já tradicional jantar onde se pode prolongar a conversa.

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O Terrarium vai ser editado pela Saída de Emergência na Colecção Bang!

Tragam o vosso exemplar, tragam outros exemplares dos autores (certamente eles também irão gostar de falar deles) e tragam os vossos melhores amigos.

Nós prometemos só devorar os livros!

http://www.facebook.com/osdevoradores

E o evento: https://www.facebook.com/events/420240435032474/

Devaneios com URL 2

2: fronteiras e riscos

Preocupações com fronteiras temporais, em idade de corpo ou idade de calendário, marcam esta secção, levando-nos a questionar fronteiras de gostos, pois a primeira lista nada contém de reconhecidamente FC e a segunda é o reflexo invertido deste espelho. Concordaremos com o que foi escolhido para nós, teremos algo inédito a dizer? Convém ficarmos alerta contra discursos hegemónicos (pausa para aplaudir: «o prazer do texto é uma das mais importantes funções da literatura, ao lado da catarse e da busca de conhecimento do mundo»), mas por outro lado, é curta, esta passagem pela vida, e facilmente nos perderemos na selva editorial. Diversidade é o que propomos, despir a armadura, correr riscos de leitura. Também teremos as nossas preferências, devidamente assinaladas quando se intrometerem. Como, por exemplo, esta, que junta um autor a outro prefacista, ambos de qualidade.

Talvez nos ajudem as fronteiras espaciais, novamente (v. entrada anterior da presente coluna): se as traições de língua trazem outro tipo de interrogações (algumas incompreensíveis, como a opção de distribuir pelo canal português a versão dobrada, e não a original, desta série), também é verdade que nos fazem descobrir mundos, distantes em território, mas afinal são tão próximos em alma

Luis Filipe Silva

Devaneios com URL

Estreamos hoje o que nós esperamos ser o primeiro “Devaneiros com URL” de Luis Filipe Silva, uma revista do que se anda a passar no mundo da FC&F.

1: vozes e ecos

Será o autor um porta-voz da sua geração? Do seu país, da sua língua, das crenças e acontecimentos? Fará dele um jornalista emocional, preocupado em relatar a viagem íntima (subjectiva, portanto, filtrada, parcial e parcimoniosa) – mas, se fizer, confiaremos nele? Irá conduzir-nos a um lugar seguro? A uma verdade reconhecida por muitos? Recentemente, discutiram-se limites, à guisa de legitimidades: «A good novelist is a good observer – everything else is just style. A writer must be alive to what goes said and unsaid in the world, making themself [sic] small until only the reader is reflected in the work. A well-crafted novel is a mirror, and as a reader I don’t mind where the glass was made or how it got its silver. I require only that its reflection is fair.»

Se isto for verdade, o que dizer da ficção científica? Sabem, aquele ramo da literatura que fala do que não existe(iu). Se quem relata nunca viajou nem assentou pés em tal terra(tempo), como resolver a questão da legitimidade? Serei dono deste sonho, da visão que me apareceu? (Como bem sabemos, sonhos são coisas que, quando se lhes abre a portinhola, jamais regressam ao ninho.) Claro que convém aparecer, ser-se visto, ou mais importante, ser-se lembrado. A voz do autor ecoa no tempo.

Estranhamente, por vezes é mais difícil ecoar no espaço: falamos de Weltliteratur e prontamente desculpamos a sua inexistência com as questões comezinhas do dinheiro e do interesse alheio, aparentemente interligadas. Mas interesse existe, ou parece existir, em determinadas reuniões literárias internacionais, pelo menos naquela bolha anacrónica dos poucos dias de um acontecimento intenso. Felizmente que a nível interno de cada nação, o interesse mantém-se, quer em saudar o que se fez quer em promover nascimentos. E depois há aquelas situações de intermeio, em que já nasceu mas ainda não se mostrou ao mundo. Mas estas abordaremos mais tarde…