SciFiLx 2018

Após leitura cuidada e deliberação, o júri do Prémio Nacional de Contos de Ficção Especulativa (de ora em diante denominado Prémio Ataegina) encontrou um/uma vencedor/a.

O nome será revelado no SciFiLx 2018, a acontecer no Instituto Superior Técnico, numa cerimónia a decorrer no dia 14 de Julho pelas 16h30 no anfiteatro com a programação da literatura.

Estão todos convidados a comparecer!

Também durante o SciFiLx teremos à disposição livros da Imaginauta (com excepção do Pouso Forçado, que só se encontra disponível em cópia digital).

No SciFiLx estarão disponíveis produtos de venda exclusiva em eventos como a Caixa Literária Mistério (conjunto de brindes relacionados com literatura, um Barbante exclusivo, um ebook e um livro de FC de alfarrabista surpresa) e a Colecção Barbante

E por falar na colecção Barbante, temos dois novos títulos, que estarão já disponíveis no SciFiLx: O jogo, da Carmo  Cardoso e José Machado e O farol intergalático do João Pedro Oliveira.

 

 

Onde estão as mulheres na ficção especulativa Portuguesa?

Ensaios Imaginauta – Daqui em diante vamos fazer um esforço para publicar pequenos ensaios/artigos de opinião sobre os mais variados temas dentro da ficção científica e fantasia. A primeira pessoa que convidámos foi a Rafaela Ferraz, para nos falar do papel feminino na literatura de género.

Onde estão as mulheres na ficção especulativa Portuguesa?


Rafaela Ferraz


Quando Margaret Cavendish publicou, em 1666, “The Blazing World”, uma obra por muitos considerada um exemplo embrionário de literatura de ficção científica, teve o cuidado de a dedicar a todas as “noble and worthy ladies”. Incrivelmente, 352 anos depois, ainda há quem ignore a presença das mulheres nos meandros da ficção especulativa.

É cada vez mais difícil legitimar esta posição: basta olhar para prémios recentes para concluir que o género feminino tem arrebatado muitas das categorias. Nos Hugo Awards 2017, os prémios de melhor novel, novella, novelette e short story foram todos atribuídos a autoras (N. K. Jemisin, Seanan McGuire, Ursula Vernon, e Amal El-Mohtar, respectivamente), assim como o John W. Campbell Award for Best New Writer, cuja vencedora foi Ada Palmer.

Ada Palmer

O panorama é positivo, especialmente considerando que foi apenas o segundo ano (2016 foi o primeiro) em que todas as categorias de ficção foram vencidas por mulheres. Os homens, por outro lado, já estão familiarizados com este tipo de conquista: as primeiras catorze edições dos Hugo Awards produziram apenas vencedores do género masculino. A edição de 1968 trouxe-nos a primeira mulher vencedora (Anne McCaffrey, com a novella “Weyr Search”), mas a edição de 1969 voltou a ser 100% masculina, assim com as edições de 1971, 1972, 1976, 1980, 1986, 1987, 1998, 2002, 2003, 2007, 2010, e 2015 (este último devido, em grande parte, à campanha Sad/Rabid Puppies).

Pouca ou muita, parece que as mulheres até escrevem ficção especulativa.

Mas será que a escrevem em Portugal?

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O meu objectivo, quando comecei este artigo, nunca foi o de gerar estatísticas para poder responder a esta pergunta, mas a vida dá destas voltas e a internet nem sempre tem a informação que procuramos. Por vezes, temos de ser nós a produzi-la, com recurso a um Excel, uma lista de publicações nacionais de contos de ficção especulativa, e muita paciência.

Falemos dessa lista, então. Os critérios que usei para a inclusão de uma publicação foram apenas dois: a) publicar contos de ficção especulativa; b) ter uma lista de autores facilmente acessível. Mesmo assim, só consegui incluir oito publicações, pelo que optei por não explorar outros critérios de potencial interesse, como períodos de actividade e/ou regimes de pagamento (ou falta dele). Esses pontos continuam disponíveis para quem os queira abordar no futuro.

Portanto, compilada a lista de publicações, restou reunir os nomes de todos os autores que já escreveram contos para cada uma, e fazer as contas à vida. Aqui ficam os resultados:

N Homens Mulheres
Almanaques Steampunk (incluindo Almanaque 2017) 18 61% 39%
Revista Bang! 55 76% 24%
Divergência (excepto Almanaque 2017) 23 61% 39%
Fantasy & Co 19 53% 47%
Fénix 41 66% 34%
Ficções Phantasticas 9 78% 22%
Imaginauta 18 72% 28%
Nanozine 39 64% 36%
Representação média: 66% 34%

Numericamente falando, é claro que os homens dominam todas as publicações estudadas. A publicação com maior representatividade masculina chega aos 78%, mas a publicação com maior representatividade feminina não passou dos 47%. A média total, essa, lá foi definhando nos 34%.

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Não posso explicar estes números. Não posso, com base nesta tabela, tirar grandes ilações sobre o porquê de isto acontecer–mas posso especular.

Comecemos por isolar dois grandes momentos no percurso que um conto percorre desde o primeiro rasgo de inspiração até à publicação: o momento em que o autor submete o conto a uma publicação, e o momento em que essa publicação aceita publicar o conto. Ora, é fácil compreender como estes dois momentos podem influenciar a representatividade feminina num género literário: é possível que as mulheres submetam menos contos, mas também é possível que as publicações aceitem menos contos escritos por mulheres.

Efectivamente, “as mulheres submetem menos histórias” é um argumento comum neste tipo de discussão, e não faltam editores nacionais e internacionais que confirmam esta ideia. Porém, poucos conseguiram expô-la de forma tão objectiva como Julie Crisp, editora da Tor UK, que em Julho de 2017 partilhou o número de submissões que recebera desde o início do ano.

Para um total de 503 submissões, Crisp registou 32% de submissões feitas por mulheres e 68% de submissões feitas por homens, números que em muito se aproximam aos que vimos acima. (Mas como somos pessoas responsáveis, vamos abster-nos de fazer declarações sobre a sua significância estatística.) Por categorias, os números de Crisp tornam-se ainda mais reveladores: os únicos géneros em que as mulheres submeteram mais do que os homens foram urban fantasy/paranormal romance (57%) e YA (68%).

Pessoalmente, questiono a utilidade de incluir YA nesta lista enquanto género, uma vez que este tipo de literatura inclui tanto ficção especulativa como, por exemplo, realismo contemporâneo. Da mesma forma, questiono a desdobragem do fantástico em duas categorias. Há quem defenda a existência de um qualquer abismo entre historical/epic/high-fantasy e urban fantasy/paranormal romance, sim, mas eu não o vejo. (Ou melhor, vejo, mas não é um abismo, é mais um sorting hat que classifica obras com base no sex appeal das suas criaturas sobrenaturais e/ou mitológicas. Se o vampiro for atraente, a obra passa a ser urban fantasy. Feito. Go to “lesser fantasy” jail. Go directly to jail. Do not pass go. Do not collect $200.)

Para todos os efeitos, urban fantasy e paranormal romance são géneros fantásticos–e se tivessem sido considerados em conjunto com historical/epic/high-fantasy, a percentagem de submissões feitas por mulheres teria subido aos 45%.

Mas voltemos a Portugal. Na parte que nos toca, não temos estatísticas deste género relativamente a nenhuma publicação, pelo que a coisa mais próxima que posso trazer à discussão são alguns números relativos às submissões para a 1ª edição do Concurso Nacional de Contos de Ficção Especulativa. Segundo a Imaginauta, que cedeu estes dados, foram recebidos 94 contos, sendo que 64% foram escritos por homens e 36% for mulheres–valores próximos aos apresentados por Julie Crisp, que nos voltam a indicar que os homens submetem praticamente duas vezes mais do que as mulheres.

A ser esta a explicação para a baixa representatividade feminina nas lides especulativas do nosso país, não é difícil chegar a possíveis explicações: talvez as mulheres submetam menos porque têm menos confiança no seu trabalho; porque o mercado actual é pouco apelativo; porque, mesmo sem estas estatísticas, já se vêem subrepresentadas em todas as publicações disponíveis; porque o meio da ficção especulativa nacional se assemelha a um pequeníssimo e praticamente hermético clube de cavalheiros; porque estão conscientes da oposição que a comunidade reserva às suas preferências literárias.

Bronwyn Lovell aborda esta questão no seu ensaio “Science Fiction’s Women Problem”, ao afirmar que o tipo de ficção especulativa que mais atrai as mulheres pode não ser necessariamente o tipo de ficção especulativa que mais agrada aos pesos pesados do género. Esta discrepância pode ser suficiente para convencer potenciais autoras a auto-sabotar os seus esforços: para quê submeter uma história sobre uma princesa adolescente que salva a namorada (também princesa) da torre-prisão, com recurso aos seus dotes de crochet e à espada de um falecido herói, se tantos membros da comunidade continuam orientados para um tipo de ficção especulativa onde as mulheres só existem para decorar o cenário? Nancy Jane Moore apoia esta ideia em “Toward a Better Future”, ao afirmar que uma das melhores formas de apoiar as autoras de ficção especulativa é reconhecer que estas dificilmente vão continuar a escrever as mesmas histórias que se escreviam na Golden Age do género.

Isto coloca, obviamente, alguma pressão nos ombros dos editores, assumindo que estes querem melhorar a representatividade feminina nas suas publicações.

Por um lado, terão de questionar o seu próprio papel em todo este processo. Afinal, são seres humanos com preconceitos e biases, e numa sociedade historicamente machista, estes preconceitos e biases podem resultar numa menor aceitação de contos escritos por mulheres. Por outro, terão de criar estratégias de resposta ao menor número de submissões que recebem por parte das autoras–o que pode implicar não só um redirecionamento das preferências “da casa”, mas também uma nova forma de relacionamento com a comunidade de ficção especulativa em geral.

Concurso Nacional de Contos de Ficção Especulativa – Prémio Ataegina

O Concurso Nacional de  Contos de Ficção Especulativa ganhou finalmente um nome:


Prémio Ataegina


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Ataegina era uma deusa venerada pelos antigos povos da península Ibérica ligada à natureza, fertilidade e nascimento. No troféu que preparámos para este ano está figurado um ovo, símbolo também de fertilidade, nascimento, uma promessa para o futuro.

É isso que pretendemos incentivar com este concurso: o aparecimento de novos autores, criativos, férteis em ideias e literatura, que venham dar à luz novos mundos ao Mundo.

 

 

A decisão do Júri (composto por um elemento da Editorial Divergência, um do SciFiLx, um da Imaginauta e outro independente) será comunicada no palco principal do SciFiLx 2018, no Instituto Superior Técnico no dia 14 de Julho.

Estão desde já convidados comparecer à entrega do prémio e do troféu.

Foto de Sci-Fi Lx.

 

Tertúlia dos Devoradores de Livros #19

Em Junho, a Tertúlia dos Devoradores de Livros irá ser na Livraria Tigre de Papel, em Lisboa, pelas 19h.

Como convidados teremos a Ana Carrilho e o André Silva, que nos virão falar do SciFiLx 2019.

35472369_8947293035432590_7095914227923156992_n.jpgFundador, Fearless Leader, Fita-Cola, Lider Supremo, Megalómano, Ditador, Psicólogo, o faz-tudo, este são alguns dos títulos que André Silva já recebeu ao longo da história gloriosa, bumpy, construída de sorrisos, suor, trabalho, sangue e lágrimas do Sci-Fi Lx. A ideia surgiu da cabeça deste louco, inspirado na LisboaCon, Cifimad e Iberanime que olhou para o panorama nacional e… pára tudo. Porque é que ainda não existe uma convenção apenas dedicada à ficção científica? Reuniu os 5 Magnificos que começaram a arquitectar o projecto que no início era apenas uma convenção e criou o Sci-Fi Lx tendo feito milagres em conjunto com todas as pessoas e organizações que fazem de alguma forma, directa ou indirectamente contribuem para aquilo que hoje é o Sci-fi Lx alimentando as diferentes sinergias sem as quais não era possível a sua existência. É ele o fundador e coração por trás do projecto, desde a sua concepção inicial. Nesta edição do Devoradores vem falar um bocadinho do percurso do Sci-Fi Lx até hoje, bem como do que a edição deste ano nos reserva.

35671847_8947293042099256_4934406382125318144_n.jpgA Ficção Científica fez desde sempre parte da vida de Ana Carrilho. “Roubar” os Argonautas ou os Blake & Mortimer do pai era um acontecimento corriqueiro, quando era jovem. A primeira ligação ao Sci-Fi Lx surge em 2015 (com o grupo Guerrilha Crochet), com o convite do fundador Tiago Rosado para trazer o crochet para a convenção, numa tentativa de mostrar a ubiquidade do género nas manifestações de actividade humana. No ano seguinte, nasce o projecto Handmade Sci-Fi Lx, que tenta englobar várias técnicas de artesanato ligadas ao tema. Em 2017, numa progressão natural do papel de “conselheira da aflição” (“anda lá fora fumar um cigarro” era o código que André Silva usava) surge o convite para integrar a Equipa Sci-Fi Lx, com a missão de reestruturar profissionalmente o projecto e tirar partido da sua área de formação académica, a Comunicação Social. Nesta edição dos Devoradores vem falar-nos do tema central desta 4ª edição, o Armageddon, bem como das ramificações que o projecto tem, bem para além do evento anual.

Evento no Facebook

Imaginauta na Eurocon 2018

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Todos os anos, é organizada uma convenção europeia de Ficção Científica e Fantasia. O local vai variando de ano para ano, pelo que em 2018 será em Amiens, em França.

http://eurocon2018.yolasite.com

Lá, leitores, escritores e editores conhecem-se e dão-se a conhecer, celebrando os livros que tanto gostamos. São também atribuídos diversos prémios. Podes nomear os teus artistas europeus (incluindo portugueses) favoritos aqui:

https://esfs.info/esfs-awards/2010-2/esfs-nominations-2018/

AImaginauta estará presente na Eurocon, juntamente com o Pedro Cipriano, da Editorial Divergência, e o Rogério Ribeiro, organizador do Fórum Fantástico, iremos apresentar um painel acerca da ficção científica e fantasia em Portugal.

Getting away with SF&F in Portugal: Tales from an alternate universe

Carlos Silva, Pedro Cipriano and Rogério Ribeiro are three of the faces that struggle to promote SF&F in Portugal. Events, micro publishing houses, selling platforms, awards, are some of the things they are doing. But the question arises: is it enough? Can these initiatives have success in a country where football and sunny beaches steal the spotlight?

Devoradores de Livros #18

Para a 18ª tertúlia do Devoradores de Livros iremos ter como convidado o oão Mariano e o Henrique Soares, ambos membros do Grupo de Roleplayers de Lisboa.

O encontro será dia 17 de Maio pelas 19h, na Livraria Tigre de Papel e é uma organização conjunta da Imaginauta e SciFiLx.

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Ambos são membros do Grupo de Roleplayers de Lisboa e contam com várias décadas de experiência a jogar e mestrar este tipo de jogos cooperativos.

Página de Facebook do evento

O Grupo de Roleplayers de Lisboa (GRL) promove encontros regulares abertos a todos e participa em vários eventos ao longo do ano, com o intuito de divulgar este hobby. Para além disso, funciona como plataforma online, promovendo o debate e articulando indivíduos, grupos e projectos.

Dia do Livro – Passatempo

Modificado a 29 Abril 2018 Passatempo encerrado e vencedor contactado (José Gomes)

Hoje é Dia do Livro e para comemorar temos uma surpresa para todos aqueles que gostam de ler em inglês.

Temos para ofecer:

Afterparty – Daryl Gregory
Resistance – Samit Basu
Weirder Shadows over Innsmouth – uma antologia de vários autores

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Para ganhar, terás apenas de ser fã da página de Facebook da Imaginauta e partilhar o post onde esta notícia será divulgada na nossa página.

Sábado iremos sortear aleatoriamente o vencedor entre os que fizeram “share” e enviar para a morada portuguesa que o vencedor indicar.

Boa sorte!

Devoradores de Livros #17

Continuando na leva de convidados de luxo, para a 17° tertúlia dos Devoradores de Livros (dia 19 de Abril, 19:00, Tigre de Papel em Lisboa), temos o Luis Rodrigues como convidado.

 

Luís Rodrigues foi editor do magazine electrónico Fantastic Metropolis (um projecto em colaboração com L. Timmel Duchamp, Michael Moorcock, Jeff VanderMeer e Zoran Živković) e tradutor de várias obras de literatura fantástica para língua portuguesa.

Contacto 2018 — Agradecimentos

Ontem foi um dia que deixou a Imaginauta orgulhosa.

Mais de 300 pessoas (pelo menos, não conseguimos contar mais a partir de certo ponto) visitaram o Festival Literário Contacto 2018.

Uma multidão de muitos que nunca tinham ido a um evento de literatura fantástica e de fantasia e que agora, talvez, com este primeiro contacto tenham ficado com o “bichinho”.

Obrigado a todos os parceiros e entidades presentes por todo o apoio, paciência e entusiasmo.

Toda a equipa do Palácio Baldaya está também de parabéns pois, apesar das alterações de última hora, conseguiram dar—nos alternativas que viabilizaram o evento.

Obrigado a todos os que saíram com um sorriso e uma tarde bem passada na memória, assim como todos os que nos deram sugestões de melhoria.