Conhecer os escritores de ficção especulativa portugueses

Na passada semana a Imaginauta lançou um questionário (se não preencheste, podes sempre fazê-lo AQUI) para tentar conhecer os escritores de ficção especulativa portugueses. As respostas a este formulário irão ajudar-nos a pensar mais e melhores actividades de promoção da ficção de género.

Tivémos 74 respostas até à data deste artigo, o que já nos deixa confiantes que será uma amostra minimamente representativa. Destes autores, 66 viram pelo menos uma das suas histórias publicadas, enquanto que 8 ainda não revelaram o que escrevem ao grande público.

Densidade criativa

A maioria dos autores que responderam ao nosso inquérito são da zona de Lisboa, sendo o segundo lugar o Distrito de Setúbal, com quase metade relativamente ao primeiro.

Ora, sabendo que o Distrito de Lisboa contém 22,2% da população portuguesa, podemos ainda deduzir que o número de autores está sobre-representado. Aceitamos teorias/hipóteses sobre esta distribuição.

Uma questão de género e geração

A maioria dos autores que respondeu ao nosso inquérito são do género masculino. Nos primeiros dias do inquérito a diferença era ainda mais dramática, mas foi diminuindo à medida que fomos partilhando o link de preenchimento do formulário, especialmente no Instagram.

Quando olhamos para as idades, ao contrário do que esperávamos, os adultos em idade “universitária” representam apenas 2,7% dos autores que responderam ao inquérito, sendo a maioria, com cerca de metade das respostas, os jovens adultos entre os 24 e 35 anos. À medida que vamos subido de escalão são registados menos escritores. Quererá isto dizer que em poucos anos iremos ter uma quebra de escritores? Ou que é algo que se vai desenvolvendo com o tempo e que desperta com a idade?

Sub-géneros e formatos.

Nesta pergunta, os autores podiam escolher mais do que uma hipótese. A fantasia, confirma-se, continua a ser dos géneros mais fortes em Portugal, seguido do Terror, Ficção Científica e, por fim, a História Alternativa. Quando analisamos por género, encontramos uma surpreendente prevalência de autores de terror do género feminino, ao passo que, em proporção relativa, são os homens que mais escrevem História Alternativa. A Ficção Científica tem uma proporção maior relativa de escritores de género masculino bastante superior à de escritoras de género feminino.

A esmagadora maioria dos que responderam ao inquérito tanto contam histórias no formato conto, como romance. Outras expressões como BD, Guiões para cinema/teatro, poesia ou jogos estão ainda bastante sub-representadas. No entanto, aqui poderá haver um efeito vincado da amostragem, isto é, a Imaginauta tem desenvolvido actividades essencialmente para escritores de conto/romance, pelo que é normal que possam existir outros autores que contem histórias noutros formatos que não tomaram conhecimento deste inquérito.

Escritor tipo

Em tom de provocação, com os dados que temos, podemos traçar um retrato do “escritor tipo”.

Trata-se de um homem entre os 24 e 35 anos, residente em Lisboa, com pelo menos uma história publicada (conto ou romance) do género Fantasia.

Claro que isto não passa de um exercício estatístico, mas aponta-nos para uma direção que merece reflexão. Porquê estes resultados? Que outros fatores poderão estar detrás, menos óbvios?

Por exemplo, poderá haver autores que não se considerem “escritores” por não terem ainda nada publicado? Ou será que apenas os romancistas e contistas se identificam como “escritores”?

Poderá a concentração de eventos em Lisboa levar que se criem comunidades de autores que se apoiem, enquanto que no resto do país isso não acontece?

Que perguntas deveríamos ter feito para traçar um retrato melhor?

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