Apontamentos para uma História Recente da Ficção Especulativa Portuguesa (1999 – 2022)

O seguinte artigo corresponde à visão pessoal de Carlos Silva. Aceitam-se sugestões de correcção ou melhoria.

O epifenómeno

Outubro de 1999 é discretamente lançado pela Presença na sua recentemente criada coleção Estrela do Mar um livro que marca a grande revolução do mercado literário de ficção especulativa. Estamos a falar, claro, de Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Em 2001, a primeira edição do Prémio Branquinho da Fonseca — Expresso/Gulbenkian dá a conhecer as Crónicas de Allaryia, o começo de uma saga de fantasia medieval de um então autor jovem e estreante: Filipe Faria. Ao total, foram 60 000 exemplares vendidos, algo impressionante e dificilmente ultrapassado até aos dias de hoje.

Em 2002, sai o primeiro filme que adapta o clássico Senhor dos Anéis (na altura editado pela Europa-América).

A conjunção destes lançamentos , cuja popularidade retro-alimentou o hype de uns aos outros, causa uma corrida entre as editoras nacionais em busca do próximo best-seller e insuflam a vontade de publicar dos autores nacionais, que veem um investimento em novos nomes portugueses dentro da ficção especulativa. É neste movimento que surge Bruno Matos com a trilogia Os 5 Moklins (2001), Inês Botelho com a trilogia O Ceptro de Aerzis (2002), Ricardo Pinto com a trilogia A Dança de Pedra do Camaleão (2003), Sandra Carvalho com A Saga das Pedras Mágicas (2005), Madalena Santos com a saga das Terras de Corza (2006) e Rafael Loureiro com a trilogia Nocturnus (2009).

Curiosamente, e em contra-corrente, os Encontros de FC&F “Na Periferia do Império” em Cascais, que ocorreram entre 1996, gerando diversas antologias bi-lingue com autores nacionais estrangeiros, chegavam a um fim em 2001. Fontes internas dizem-nos que a direção não era grande fã de fantasia, o que motivou que o evento não apanhasse a onda deste género que ganhava força.

Também por esta altura, em 1999, Prémio Editorial Caminho de Ficção Científica, que ocorria desde 1982, anuncia o seu último vencedor, marcando o fim da Colecção Caminho de Ficção Científica (1984 – 2001), com o total de 99 obras, dando a ideia que a explosão do interesse na fantasia, de certa maneira, sufocou a ainda pouca FC que se publicava em Portugal. Outro factor que pode ter contribuído para esta morte foi a falência da Diglivro/Transdig, a maior distribuidora em Portugal na altura que, entre outros, tinha clientes como a Editorial Caminho, a Oficina do Livro, ou as Publicações D. Quixote. Em 2008, a Caminho é assimilada pela sociedade gestora de participações de capital Leya, e há relatos dos exemplares que ainda existirem nos armazéns da editora serem guilhotinados.

A Saída de Emergência

Em 2003 surge a Edições Fio da Navalha (uma referência ao Blade Runner?), que em 2006 muda para o nome que conhecemos hoje: Saída de Emergência. Uma pedrada no charco, já que a editora se apresentava como um projeto dedicado à Ficção Especulativa, primando por títulos mais orientados para o público jovem-adulto, ao invés do marketing infanto-juvenil ao qual as restantes editoras do mercado pareciam presas na altura.

Outra inovação que trouxe ao mercado foi a proposta de antologias de contos temáticas, que prometiam trazer oportunidades a novas vozes, num formato mais curto e, porventura, mais acessível à legião de jovens que viam uma chance de começarem a sua carreira no mundo da escrita. À primeira antologia Sombra Sobre Lisboa (2006) seguiram-se outras como Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa (2007) e Lisboa no Ano 2000 (2012), o último dos títulos neste formato. Nunca foram bestsellers, mas cumpriram a missão de gerar animação no meio literário de ficção especulativa e cimentavam a posição da Saída de Emergência como principal editora de ficção científica e fantasia do mercado português.

Outra grande aposta da Saída de Emergência foi o prolífico David Soares, com a publicação e forte promoção de diversos títulos deste autor, iniciando com a publicação de Os Ossos do Arco-Íris (2006) e acabando com Batalha (2011). Outro autor destacado pela Saída de Emergência foi Bruno Martins Soares, cuja saga de Alex 9 viu a edição definitiva em 2012.

Alguns livros de David Soares

Em 2008, esta editora cria o Prémio Bang! Para Literatura Fantática, cuja primeira edição não teve vencedores, justificada pela falta de qualidade das obras submetidas (algo que caiu bastante mal na comunidade de ficção especulativa). Tal foi o trauma que a única outra edição deste prémio apenas ocorreu em 2015, aquando da tentativa (entretanto falhada) da Saída de Emergência expandir para o Brasil. A obra vencedora foi a Balada de Antel (2016), curiosamente de um autor brasileiro. Infelizmente, não foi um livro com muito impacto, talvez ajudado pela dificuldade de promover um autor do outro lado do Atlântico. Quem sabe se em 2024 há nova edição do prémio, cumprindo o padrão de 8 anos entre cada edição.

Com o sucesso da saga As Crónicas de Gelo e Fogo (adaptado para a série televisiva Guerra dos Tronos) e com o alargamento do catálogo para a auto-ajuda e romance histórico, a Saída de Emergência foi ganhando quota de mercado, tornando-se uma das grandes editoras independentes portuguesas. Infelizmente, a aposta em autores nacionais decresceu proporcionalmente.

Em 2002 surge a revista Dragão Quântico, fortemente associada a Rogério Ribeiro (um dos nomes mais constantes da divulgação da ficção especulativa portuguesa) que teve 5 edições até 2005 e cujos conteúdos deram origem ao número zero da Revista Bang! (2005 – atualidade).

A Revista Bang! conheceu vários formatos, de revista à venda em livrarias, a edição online, até finalmente se fixar como uma edição distribuída em parceria com a FNAC. Inclui, entre outros, ensaios, entrevistas, antevisão de lançamentos e contos (lamentavelmente, cada vez menos).

Atualmente, na sua demanda por bons autores portugueses (cujo responsável Luís Corte-Real diz haver em falta), a Saída de Emergência decidiu procurar internamente e descobriu as histórias de Benjamim Tormenta (2021), escritas por Luís Corte-Real.

Outros livros e publicações

No período pós-Harry Potter e pré-2012 destacam-se ainda algumas publicações como Contos de Terror Homem Peixe (2007) (promovido pelo MotelX), A Bondade dos Estranhos (2007) (um tríptico iniciado e que teria obras de mais autores no mesmo universo, mas nunca acabado), Ficções Científicas e Fantásticas (2007), todos da editora Chimpazé Intelectual; Brinca Comigo! e outras estórias fantásticas com brinquedos (2009) e Motel X – Historias de Terror (2014), ambos da Escritório Editora; Por Universos Nunca Dantes Navegados (2007); Se Acordar Antes de Morrer (2010) e As Atribulações de Jacques Bonhomme, da Coleção 1001 Mundos da Gaialivro; Antologia de Ficção Científica Fantasporto (2012).

Foi também este período que viu nascer a Livros de Areia que na sua curta existência publicou livros com um marcado trabalho gráfico e cunho editorial forte, trazendo autores que se destacavam as restantes escolhas literárias das restantes editoras. Outro projecto curto foi a Antagonista que apesar do começo estelar (marcada pelos livros duplos que traziam duas noveletas numa só edição) foi apanhada na curva pela segunda grande falência de distribuidoras com o fim da Contra Margem em 2012. No mesmo ano faliu também a CESodilivros, na altura a maior distribuidora de livros em Portugal.

No campo da auto-edição, talvez um dos melhores exemplos é Goor – A Crónica de Feaglar I (2006), cujo spin-off conheceu uma publicação pela Editorial Presença, uma editora tradicional, com o título O Regresso dos Deuses – Rebelião (2011), prova da procura dos editores por este tipo de histórias.

De referir ainda O Filho de Odin (2006) considerado por muitos um dos piores (e mais hilariantes) livros de ficção especulativos publicados em Portugal, talvez consequência da falta de trabalho editorial na altura causado pela fome de encontrar o “novo Harry Potter”.

O annus mirabilis das fanzines

Se bem que já houvesse exemplos de fanzines em circulação, como o Dragão Quântico que falámos anteriormente, a Bang! ou a Dagon (2009 – 2013, 6 edições), Conto Fantástico (2010 – 2012, 3 edições), foi no ano de 2012 que se viu uma explosão de publicações do fandom de uma extensão que nem me tinha apercebido antes de escrever este artigo.

Com o abrandamento do investimento impetuoso inicial das grandes editoras em ficção especulativa (com um grande foco na fantasia), a comunidade de leitores e escritores começou a recorrer à iniciativa própria para dar palco aos textos dos escritores que haviam crescido à sombra da leitura de autores portugueses publicados por grandes casas. Em termos temporais, um adolescente de 12 anos na altura do epifenómeno do Harry Potter/Allaryia/Senhor dos Aneis, teria agora 19 anos e capacidade para organizar este tipo de iniciativas.

Vieram a público a Nanozine (2011 – 2014, 11 edições), a Revista Lusitânia (2012 – 2014, 3 edições), a Volluspa (2012), a Fénix Fanzine (2012 – 3 volumes), a Trëma (2012) e Almanaque Steampunk (2012 – 2019), este último associado ao evento EuroSteamCon e que já passou por várias mãos e associação a diferentes eventos. Em termos de projetos internacionais com cunho português destaca-se a ISF .

Capas de fanzines lançadas na época

Entre 2013 e 2017, um grupo de jovens autores portugueses dinamizou o site Fantasy&Co, publicando diversos contos de ficção especulativa com uma frequência exemplar, gerando diversos ebooks temáticos que ainda hoje estão disponíveis.

Na área da BD destacam-se os projectos Zona (2009 – actualidade), 14 edições) H-Alt (2015 – actualidade; 12 edições) e Aprocryphus – (2016 – actualidade; 5 edições) que, cada um à sua maneira, através de publicações em nome próprio têm fomentado novos talentos, tando do lado de argumento, como da ilustração, juntando artistas de ambos os lados.

No entanto, apesar de toda esta produção, não tenho registo de algum autor que tenha saltado das fanzines para a produção literária para grandes editoras. Não por falta de qualidade, acredito, mas porque o mercado estava a fechar-se às submissões espontâneas e autores desconhecidos.

Imaginauta, Divergência e Velha Lenda

Em 2014 , partindo da experiência na edição de fanzines e motivado por este fechar de portas, emergem dois projetos editoriais no seio da comunidade: Imaginauta e Divergência.

A Imaginauta surge com duas vertentes, uma editorial e uma de organização de eventos. Na vertente editorial, é desenvolvido o mundo partilhado do Comandante Serralves, onde vários escritores são convidados a construir, cada um escrevendo os seus contos, um universo consistente, explorando diversas facetas do mesmo conjunto de personagens e eventos partilhados; na vertente de eventos, iniciou-se com A Noite de Lorde Byron (que mais tarde deu origem ao It’s Alive!). Ao longo dos anos foi publicando antologias temáticas como a Antologia Ficção Especulativa Queer e Lisboa Oculta – Guia Turístico, e romances de autores como Pedro Galvão, com A Última Vida de Sir David e Fausta Cardoso Pereira, com Dormir com Lisboa.

A Divergência, por sua vez, também editou as suas antologias temáticas e novos romances, tendo-se desmultiplicando em projetos paralelos de distribuição, serviços editoriais para publicação on-demand, editoras de não-fição e ficção corrente, que permitiram o projeto crescer. Em 2019, aquando da publicação da saga de Michel Alex, mentor da Custom Circus, a Divergência encontra um parceiro de peso, instalando-se no parque de cultural alternativa Nirvana Studios.

Em 2020, surge a Velha Lenda, que apesar de não ser exclusiva para ficção especulativa, apresenta-se como uma opção viável para os autores que procuram publicar de modo tradicional.

Estas editoras, apesar do seu tamanho, têm carregado a tocha da publicação consistente de ficção especulativa em Portugal. Apesar de alguns exemplos isolados, como os recentes Conta-me Escuridão (2021) ou Aquorea (2021), há uma falta de estratégia concreta ou catálogo dedicado na generalidade das editoras para a ficção especulativa portuguesa.

Os eventos

Paralelamente à atividade editorial surgiram também os eventos especializados em ficção especulativa literária e os prémios que tanto servem de ponto de encontro como de palco para novos projetos.

O Fórum Fantástico (2005 – actualidade, 14 edições) é um nome incontornável e ao longo dos anos trouxe autores estabelecidos, iniciantes, nacionais e estrangeiros. O evento teve várias equipas, incluindo Safaa Dib (editora da Saída da Emergência e responsável por alguns dos melhores números da revista Bang!), mas há um nome que se manteve constante: Rogério Ribeiro. Em paralelo, Rogério Ribeiro organiza mais esporadicamente as Conversas Imaginárias (2009 – 2015).

Nos anos de 2012 e 2013 um grupo de fãs do Porto (Clockwork Portugal) organizou duas edições da EuroSteamCon, um evento que acontece deslocalizado um pouco por toda a Europa, que ajudou a cimentar o Steampunk como género em Portugal. Em 2015 houve uma edição organizada pelo grupo informal Corte do Norte e, durante pelo menos duas edições, as festividades estiveram associadas ao Fórum Fantástico organizadas pela Liga Steampunk de Lisboa. Hoje em dia, o principal evento do género é o Festival Vapor, que conta já com duas edições em 2018 e 2019, promovido pelo Museu Ferroviário no Entroncamento.

Desde 2014, inspirados pelos lucros obtidos nas grandes convenções de cultura pop internacionais, que a Comic Con Portugal é organizada anualmente. Primeiro no Porto, depois Oeiras e finalmente Lisboa, este evento conta já com uma mão cheia de edições. A parte dedicada à literatura é pequena, e a dos autores portugueses ainda mais obscura. A equipa ligada ao projecto alterou-se ao longo do tempo, tendo-se notado um degradar do evento, mas há a esperança que a organização saiba ouvir as críticas e alterar o que não está a resultar.

Partindo de algumas experiências mais pequenas, e talvez motivados pela Comic Con, em 2016 surgiu o SciFiLx, um projecto amador com vontade de crescer que reunia no edifício do Instituto Superior Técnico as comunidades ligadas às várias expressões da ficção especulativa. Infelizmente, as dores de crescimento ditaram o fim deste evento ao fim de 3 edições, em 2018.

Cartazes de festivais com presença de literatura de ficção especulativa

Nesse mesmo ano, aproveitando o vácuo que o evento deixava, surgiram o Festival Bang! (2018 – actualidade, 2 edições), organizado pela Saída de Emergência para promover o seu catálogo, e o Festival Contacto (2018 – actualidade, 4 edições), organizado pela Imaginauta, em prol da comunidade de ficção especulativa, assumindo-se como um ponto de encontro entre diferentes fandoms e gerações.

Completamente diferente dos demais, os Mensageiros das Estrelas (2010 – actualidade), que já vai na 6ª edição, destaca-se por ser um evento internacional focado em apresentações académicas.

Prémios

Com o fim dos Prémio Caminho de Ficção Científica, e perante a incapacidade de se organizar uma votação interna para os prémios da European Science Fiction Society, a comunidade da ficção especulativa ficou largos anos sem um galardão para promover e recomendar as histórias que iam sendo criadas.

Para colmatar essa falha, em 2014 o colectivo Trëma (mais tarde assumido pela organização do Fórum Fantástico) criou o Prémio Adamastor para premiar as obras (romance, conto, banda-desenhada) publicadas no ano transacto à votação. A iniciativa, muito meritória e feita com boas intenções, sofre de falta de um registo user-friendly que permita aceder ao seu historial passado e dificuldade em projectar-se para fora do núcleo mais duro dos fãs de ficção especulativa, para se afirmar como um galardão forte e representativo do género.

A Divergência criou também o seu prémio em 2015, primeiro chamado de Prémio Convergência, depois de Prémio António de Macedo, em homenagem ao cineasta e escritor. Este prémio elege o melhor romance submetido à editora em cada edição, oferecendo não só a edição do mesmo, como um prémio pecuinário.

Numa tentativa de fazer surgir um prémio que abrangesse diversas entidades, a Imaginauta estabeleceu em 2019 o Prémio Ataegina onde um júri representante de diversos projectos (em 2022: Imaginauta, Divergência, Fórum Fantástico, um elemento independente e o The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction) selecciona o melhor conto submetido para a edição do mesmo. Para além de um prémio com valor monetário, o conto de cada vencedor tem sido publicado pela Imaginauta em parceria com o The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction.

Tanto o Prémio Ataegina como o Prémio António de Macedo têm cumprido o seu papel de motivar os escritores de ficção especulativa, tendo a cada ano revelado novos talentos à comunidade. No entanto, ainda há trabalho a ser feito a nível de alcance e valor atribuído como prémio.

E agora, como estamos?

Ao longo destas duas décadas, o lugar conquistado pelos autores de ficção especulativa portugueses nas grandes editoras foi-se esbatendo numa “regressão à média” normal de quando se observa resultados fora do comum.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da tecnologias (sim, no mundo dos livros também há tecnologia) e do mercado possibilitaram o aparecimento de pequenas editoras que, embora de alcance limitado, têm mantido a chama acesa no que, de outro modo, seria uma noite escura da edição de ficção especulativa portuguesa.

As fanzines, por seu lado, embora ainda continuem fortes no mundo da BD (e mesmo assim não tanto como antigamente), perderam o momento. Há falta de formatos leves e mais imediatos como as revistas proporcionam para potenciar que os autores se conheçam, se leiam, e partilhem as suas histórias com o público. É-me surpreendente como num mundo de conteúdos cada vez mais efémeros e rápidos o conto não esteja no pódio de entretenimento que seria de esperar.

Ainda é cedo para reflectir sobre o assunto, mas a afirmação das redes sociais tem trazido também mudanças para o mundo dos livros. Autores charmosos e com planos de marketing fortes (que passam muitas vezes por criar uma relação de empatia com os leitores e redes de influência com outros criadores) têm oportunidades maiores de projectar os seus livros para as bocas do mundo do que no início do milénio.

O exercício de prever o futuro ou realidades alternativas é sempre considerada uma actividade fútil, mas é para nos entretermos com essas ideias que nós os fãs de ficção especulativa aqui estamos.

Por isso, aqui vai a pergunta: Quais serão os formatos e tendências da ficção especulativa nos próximos 20 anos?

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